O que eu tenho para oferecer?
Desde a semana passada quando eu
participei de um congresso na universidade, pensamentos me rodeiam
insistentemente e não paro de fazer uma pergunta pra mim mesma: O que eu tenho
para dar para o meu filho?
Explico melhor.
No meio de um teatro imenso, com
cerca de 1.600 pessoas ao meu redor, dentre alunos, professores, mestres, doutores
e outros profissionais eu me via ali tão pequena, tão...tão não sei! E esse era
o problema, eu não saber o que eu era no meio de tanta gente. Gente, que como
eu tem objetivos, metas, sonhos, obrigações de acadêmicos (a maioria), ou seja,
um rol de afazeres durante o ano universitário, principalmente no meu caso que
estou perto da conclusão de meu curso. Mas eu vi que a maioria não tinha o que
eu tenho: alguém que depende de mim incondicionalmente, meu filho, meu Calebe.
A verdade é que eu sempre fui
muito exigente comigo mesma, sempre me criticava, sempre me achava abaixo da
média. E por pensar assim, por vários anos eu perdi tempo em ver o sentido da
vida, o sentido de estar aqui. A vida não era só meus planos e depois de quase 4 anos de casada, Deus começou a me empurrar para seus planos, ou seja, me
deu o meu Calebe.
E quando eu olhava para aqueles
jovens com sua sorrateira vontade de vencer, eu me sentia forte, afinal agora eu
tinha que me sentir assim...
Mas ao retornar para casa,
naquele frio de seus 11° C às nove da noite, coloquei a mão no bolso e tirei o único
dinheiro que tinha: fartos R$ 5,00 e olhei logo à frente e vi uma lancheria e
lembrei que queria muito um salgado (afinal fazia quase um século que não provava um, mentira!) então sem pensar
entrei no estabelecimento e fui olhar na estufa, e percebi que o salgado
custava R$ 3,50. Daria pra comprar né? Mas, eu sei que o Cássio gosta muito de
salgados (até mais que eu) e sempre tivemos esse costume de dividir prazeres,
até na hora de comer, pois, nosso programa predileto é sair para passear e no
final cair num lanche racional rs. (Digo
racional porque eu gosto de pedir saladas e meu único pecado é batata frita)
Daí pensei que poderia comprar um e levar para casa e lá dividir... E sai realizada de lá. Porém no caminho,
novamente aqueles pensamentos de cobranças de mim mesma junto com aquele vento
frio que não deixava eu olhar para a frente só para meus pés, torcendo que eles
pudessem me levar mais rápido para meu filho e esposo que me esperavam em casa, me empurraram
bruscamente para uma pergunta (que coincidiu quando levantei o olhar e vi uma
fila imensa de carros de universitários no estacionamento): O que eu tenho para oferecer para meu filho?
Bom, imaginem que aqueles quinze
minutos que eu levara para chegar em casa, transformaram-se em uma eternidade,
porque meus pensamentos se evadiram por um mundo que eu ainda iria conhecer: o
mundo do me sinto realizada.
Cheguei em casa, bebê dormindo no
colo do marido e aquele sorriso de alegria do Cássio feliz por ver um salgado
na minha mão (é gente ele estava feliz pelo salgado...rsrs) me fez concluir
meus pensamentos ao dormir: Eu hoje não cheguei onde queria, onde sonhei, onde
planejei... mas Deus me trouxe a um lugar bem melhor do que eu pedi, me deu
sonhos que jamais morrerão ou se apagarão com os problemas, me deu planos, os
quais terei Fé, Força e Amor para cumprir por toda minha vida.
Hoje ainda não temos nossa casa própria,
nosso carro, ainda não fomos aprovados em um concurso público, não podemos
viajar pelo mundo afora como ainda queremos, não podemos visitar nossos
familiares pelo Brasil a todo feriado ou data especial, ainda não temos a nossa
tão sonhada biblioteca repleta de livros (pra mim) e um escritório repleto de
aparelhos tecnológicos (pra ele, marido) ou a sala de jogos (pra gente rs) e
outras coisas mais... Mas temos força, garra, metas, disciplina (estamos
entrando no ritmo)dedicação, paciência, perseverança e o melhor: temos Deus e
nosso filho, Deus para nos guiar sob sua vontade e o filho para não pensarmos
em desistir jamais.
Estamos na luta. Eu estou na luta. É
um desafio ser mãe antes de você se quer saber se amanhã terá um teto para se
proteger do frio... sou mulher, mãe e esposa e o que tenho de diferente
daqueles jovens que involuntariamente me desafiaram com seus olhares de eu tô na luta é o fato de ser eu e saber
que tenho muito SIM o que oferecer para meu filho e futuramente terei orgulho
de contar para ele como foi o nosso começo...
Eu estou tentando e vou conseguir e
você?


Comentários
Sabe que torço por ti e no que puder vou te ajudando, pq como tu, sou estrangeira por aqui, hihihi. Bjs