Laço de hoje, raiz de amanhã.
Estive pensando nesses dias sobre o meu relacionamento com meus pais hoje, já sendo mãe e teoricamente sendo uma adulta. E consegui chegar nessa reflexão por conta do livro sobre as linguagens do amor das crianças.
O quanto você oferece ou recebe hoje, influencia diretamente como se sentirá amanhã em relação a todo tipo de relacionamento que você vá ter.
Meus pais eram fechados emocionalmente, não lembro de afagos, abraços, parabéns, de sentarmos a mesa e conversamos ao comer, ou de um pedido de desculpas quando nos enxergavam como adultos, não consigo lembrar de passeios em família, não lembro de presentes nos aniversários e natais, não lembro deles ajudando nos deveres escolares, ou perguntando se estava tudo bem na escola.
(…) Nao lembrar de muita coisa, nao significa que não existiu, só que não está vívido em nós.
Mas eu recordo muito bem das conversas sobre história com meu pai no trabalho dele quando eu ia muito feliz deixar o almoço que minha mãe fazia. Quando fui ao bosque com ele e tiramos uma foto juntos em cima da pedra; quando ele me levava na garoupa da bicicleta para comprar alguma coisa ou ia me buscar no Souza Franco; lembro da mamãe chegando com uma caixa de compras do mercado e isso nos deixava feliz; lembro das madrugadas de oração que juntas passamos nas vigílias em lugares distantes; lembro de ficarmos os 5 sentados espalhados pela casa pequena, uns na mesa e outros na cama, conversando sobre qualquer coisa que levava horas a fio ( um dos meus momentos preferidos), lembro da preocupação do papai quando me viu triste no beliche por conta do primeiro rompimento com o Cassio quando ainda estávamos no início do namoro; lembro da mamãe sendo meu suporte emocional no trabalho dela, naqueles dias extremamente infelizes para mim ( aquilo representou muito e só agora digitando isso me veio em mente!); lembro do dias de festa ao tirar macaxeira do quintal la em Macapá; da construção da nossa casa no Infraero e de ouvir do papai a expressão « canhotinha de ouro ».
(…) A memória do coração é a mais fidedigna que existe.
As vezes Calebe numa conversa qualquer diz uma lembrança que não bate com a realidade do que aconteceu de fato, e por vezes isso me chateava, mas a verdade é que sendo real ou não, é a forma como o coração fotografa e eterniza aquela sensação em nós, nele. E foi e é assim comigo em relação as lembranças com meus pais e irmãos.
Hoje eu consigo entender e compreender muitos acontecimentos familiares, consigo ver o quão fundamental é estar presente com os filhos, e não fisicamente apenas e sim emocionalmente principalmente.
Eu sei que meus pais tentarem nos dizer que nos amavam da única maneira que lhes era cabível, não que eles não pudessem fazer diferente é claro, mas nem sempre um ciclo é fácil de ser quebrado, sobretudo em pessoas.
Eu reconheço que eles tinham e tem amor por nós, mas vejo também que hoje é mais difícil eles conseguirem nos alcançar, afinal, agora já sabemos (ou não) nos defender de qualquer coisa que julgamos nos fazer mal.
Eu era na infância e adolescência mais apegada ao meu pai. Hoje, sinto-me mais próxima da minha mãe. Ainda assim, não o quanto eu queria dos dois.
De toda a minha infância e adolescência a melhor parte foi ter meus irmãos. E a eles eu sou grata por dividirem comigo muitos momentos de diversão e travessuras. Eu sei que hoje cada um tem a sua maneira de lidar com o que restou da nossa família base, cada um tenta criar raízes onde não houve laços.
Daí meu maior objetivo de vida, minha missão de existência ser: ser e fazer parte das melhores lembranças da vida dos meus filhos. Eu tenho a chance de consertar todo dia com eles, o que está quebrado em mim.
Obrigada meus filhos. Sem saberem, vocês me direcionam para um fim feliz ✨🌹♥️💛


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