Aprendendo a ser Mulher.




“Toda a mulher sábia edifica a sua casa, mas a tola derruba-a com as suas mãos.”
Provérbios, 14.1

    É muito difícil nos dias atuais nós mulheres nos encaixarmos perfeitamente nesse perfil o qual retrata esta passagem bíblica. Afinal, temos muitos desafios, que por vezes parecem que irão mostrar sua face vencedora frente a nossa derrotada. Mas a verdade é que não é tão difícil o quanto parece, é uma questão de amar e respeitar a si mesma.
     Ao longo desses 24 anos, encontrei e convivi com muitas mulheres com este triplo papel cada dia mais comum na sociedade: “mulher-mãe-amante”. E dentre essas mulheres, existem aquelas que contribuíram de forma significante para minha própria experiência, e por isso hoje decidi falar um pouco delas.

    A primeira, com todo seu amor, cuidado e proteção me ensinou o verbo amar. Impôs-me limites, me mostrou caminhos, me abriu os olhos para a vida que me esperava aqui fora, por nove meses me amou sem me conhecer, e quando me viu pela primeira vez me amou ainda mais. Com ela, eu chorei, conversei, sorri, briguei e até gritei às vezes, cantei, andei por muitos lugares. Foi ela que também me amou quando nem eu me amava.
    Lembro-me dos seus conselhos, exortações, nãos, lembro-me das surras (foram todas merecidas! rs), lembro-me de sua luta para oferecer o melhor para seus filhos. Lembro-me dos momentos que a vi chorando (os piores da minha vida), pedindo socorro, pedindo amor...
    Foi com minha MÃE, que aprendi a ter garra, a não querer julgar o próximo sem conhecê-lo, a lutar quando todos dizem que não adianta mais, foi com ela que aprendi a ser teimosa e não se importar com o que pensam de minhas decisões; foi com ela que aprendi a “chorar por dentro” quando é necessário ser forte por fora...
Foi com ela que aprendi que ser mãe é fácil se você tem amor, ser mulher e amante é difícil se você não tem um esposo companheiro. Mas foi devido essa falta que vi a Mulher Guerreira surgir naquela cansada, ferida e frustrada personagem da minha vida.

    A segunda, jovem como eu, sorridente como eu, corajosa como eu, ousada como eu! Mas com uma particularidade: ela não queria ter esse triplo papel! Na realidade, eu acredito que querer não significa que você não é capaz, e isso essa ela surpreendeu.
Esta jovem mulher, experimentou e abusou da vida, das oportunidades. Era louquinha, desligada e queria por muito tempo “curtir a vida”, sem preocupações. E quando falo preocupações me refiro a casamento. Éramos mais novas e eu lembro que ela me reprovava quando eu falava em casamento, filhos, marido, essas coisas.
    O tempo passou e ela se descobriu mamãe (do Luiz Miguel, hoje com oito meses) e daí também passou a ser amante que por fim a tornou mulher.
    Hoje, quando olho pra ela e lembro-me de nossas conversas, fico sorrindo por dentro e penso que, quando você imagina que não pode, que não é capaz, que aquilo não é para você, vem a vida e te mostra da melhor maneira (não concordo com a máxima “pior forma”) que você tem mais a oferecer, que aquilo que antes parecia ser tão longe de sua realidade, está a porta e cabe a você decidir abri-la ou não.
    Quando olho para esta mulher, Carley Beatriz, vejo que com ela aprendi a encarar os desafios que não esperávamos, de peito e mente aberta. Aprendi que ainda é possível ter os gostos de menina, sendo mãe, amante e mulher numa sociedade cheia de preconceitos (a meu ver retardatária).

    Prosseguindo, a terceira teve também seu papel relevante para minha própria experiência.
    Marcelle Rezende, também jovem, cheia de sonhos e apaixonada pela vida. Um namoro e amor de adolescente rendeu-lhe uma linda filha. Não poderia ela também ser excluída do preconceito, da burrice da sociedade em preocupar-se com o que não lhe diz respeito. Mas, eu me lembro de algo bem especial dessa menina-mulher: quando fui visitá-la antes de seu parto, às vésperas do seu baby chá, encontrei uma amiga bem diferente fisicamente (lógico dã! rs), me assustei com aquela mudança repentina e brusca do tempo, mas percebi que ela continuava amante da vida (e porque não poderia está assim?) e estava sentindo-se realizada, amada. Sempre a admirei por seu “pulso firme” em sua vida em geral, por sua alegria e beleza.
    Hoje ela como amante é linda, mandona, companheira, compreensiva e bem falante (todas somos né mulheres?) como mãe, nossa! É louca, ceguinha de amor pelas duas florzinhas (sim, agora são duas gurias), protetora ao extremo, mas confesso: o “pulso firme” dela tem fim quando o assunto são suas filhas (imaginem o porquê, rs). E por fim como mulher, ah basta dizer seu nome Marcelle, ela é “A Marcelle”.
    Vi que ela cresceu muito com essa fase eterna do triplo papel, e algo me toca profundamente nela: sua capacidade de perdoar aqueles que a julgaram e ainda continuam julgando-a. Esta Mulher me ensinou a viver o hoje, não se esquecendo do quê no passado te direcionou para o que você é neste momento.

   Finalizando, as duas últimas personagens chegaram juntas na minha vida. Mariane Barros e Samara Acioli. Figurinhas bem diferentes, uma extremo da outra.
   A Mariane, é aquela que você olha e diz:” Hã já é mãe?!” Linda, bem dotada com formas de fazer inveja (não para mim, ela sabe que não faz meu estilo rs) casou-se cedo e tornou-se mãe. Seu esposo, é bem mais maduro que ela (eufemismo para “mais velho” rs), e hoje seu filho Marcos André está perto de completar 6 anos (fase da despedida para o apego com a mamãe ~~’).
   Quando eu vi essa guria, formei na minha cabeça uma imagem de uma Garota Academia, esnobe e chata (tadinha). De academia não tinha nada, só o corpo tatuado e meio malhado, de esnobe, nem passava perto, agora de chata, essa qualidade eu não errei!
   Agora, quando eu a conheci de fato, sua história e toda sua forma de ver a vida, vi que ela se encaixa naquele perfil padronizado da sociedade: casou cedo, “aproveitou pouco”, foi mãe cedo demais, teve responsabilidades cedo demais (olha o preconceito de novo!). Mas você acha mesmo que eu vi isso? Claro que não! Vi uma menina indefesa, frágil, amável, colorida pra vida. Vi uma mulher forte, guerreira, e encantadora. Como amante vi uma esposa ainda em crescimento e como mãe vejo uma leoa literalmente.
   Com ela aprendi a dizer te amo, por gestos bem singelos. A ficar calada quando se tem vontade de explodir, a ser mãe quando se quer ser Mulher!

   Por fim, a Samara Acioli é aquela que cumpre a cada dia árduo esse triplo papel. Mãe da Shopia e do Saulo, esposa do Marlon. Encara hoje a realidade de ter que aguentar a saudade do esposo que está na cidade de Fortaleza a trabalho, cria e cuida de seus bebês com a ajuda de sua mãe.
   No fim da graduação de Eventos (não lembro exatamente o nome do curso), ela engravidou e daí foi morar junto com seu atual esposo, passo por muitas dificuldades, dentre elas a horrível experiência de ficar longe (em outra cidade a trabalho) na época da amamentação. Com sua história e aprendizado, vi que ela criou uma armadura que todas criamos, mas peculiar é como essa armadura se transforma num escudo quando ela precisa.
   A Samara é aquela menina que já nasce com instinto de mãe, se torna mulher e amante com instinto redobrado de Mãe; é cuidadosa, amorosa, controladora ao extremo às vezes, tem um sexto sentido incrível!
  De todas essas personagens, com exceção da minha mãe, a Samara é aquela que mais me surpreende a cada conversa, conselho, birra, desabafo, cuidado, amor e carinho. Ela é espontânea e exige isso dos outros, o que por vezes a machuca se não for correspondida. Com essa Mulher aprendi a seguir meus instintos mais ferozes, aprendi a estender a mão sem esperar que aceitassem, aprendi a sorrir com uma lágrima no rosto...
  Como esposa ela é intensa, como mãe é insubstituível e como mulher é digna de ser chamada de “two buttons”(dois butões), ou seja, é meiga como uma princesa, mas destruidora como uma bomba! Com ela aprendi a ouvir com o coração, uma das minhas melhores lições.

   Voltando ao ponto inicial deste texto, quando eu disse que é uma questão de amar e respeitar a si mesmo o fato de conseguir seguir o versículo citado, me referi justamente ao que foi exposto: você como mulher, pode com aquilo que a vida te deu, construir uma vida sábia mesmo frente às dificuldades. É passando por cima de padrões, preconceitos, medos, mudanças, conquistas e perdas que somos capazes de nos transformar em mulheres guerreiras e dóceis; em amantes ardentes e companheiras e em mães corujas e realistas.

Esse é nosso desafio diário: aprender a ser Mulher! 

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