Parabéns!
Sabe quando você começa a entender o sentido da vida?
Quando você começa a entender que nem tudo precisa ser como você queria e sim como você realmente precisava que fosse?
Ou quando entende que o tempo passa tão rápido, a ponto de você ter saudade até do que ainda não viveu?
Pois é, eu me sinto assim quando lembro dela: minha primeira melhor amiga! Carley Beatriz ou simplesmente Carley. Eu a conheci quando comecei a estudar numa escola técnica em Belém (Cefet), no ano de 2005, eu estava com 16 e ela com 15 anos e tudo foi muito espontâneo, principalmente da parte dela: sempre falante, respondona pra todo mundo, cheias de histórias do Rio (da onde ela veio transferida com a família), e algo encantador: ela era carinhosa, o que eu achava estranho porque era tímida e nunca fui aberta com nenhuma outra amiga, sempre sabia tudo das minhas amigas, mas elas não conheciam minha vida de verdade...
Foi no dia 7 de março de 2005, numa segunda-feira na aula prática de química na qual, estávamos no laboratório fazendo um experimento e surgiu aquela garota perto de mim: pequena, cabelos enrolados e longos, e bem tímida (só nesse dia rsrs); estava passando pela sala nossa lista de presença e aí eu estendi a mão e dei a lista a ela:
- Pega, assina teu nome. Eu disse.
- Hum? ... não... rsrs assina pra mim? Ela respondeu.
Parei e achei muito esquisito aquele jeito tímido, mas sorri e disse:
- Tá, como é teu nome?
- Carley Beatriz .....
- Hum? Como? Repete? Não entendi nada. Ela falava tão baixo que eu não conseguira entender seu nome.
Mas depois ela ditou e escrevi e daí ela ficou no nosso grupo (vale ressaltar que meu grupo era somente de meninos, pois éramos uma turma de técnico de informática onde a maioria era de garotos e eu cheguei com uma semana de atraso nas aulas, logo comigo eram 7 meninas, lógico que sobrei nessa conta né?! então fiquei com os meninos.) Mas a Carley chegou e me salvou daqueles "sem noção". (risos).
Foi assim que começou, e por muito tempo passamos por muitas transformações juntas. Aprontamos muito. Rimos muito. Choramos um pouquinho juntas (éramos tímidas, risos). Nós éramos as piores alunas da sala, eu acho, tínhamos um acordo e acho que cumprimos: uma não ficaria com o ficante da outra: resultado disso: ela ficou com quase todos da sala (perigosa, na verdade ela tinha algo que os meninos novinhos amam: ousadia!) e eu bom... isso não importa, mas me limitei a dois e não me orgulho disso, não pelo número, mas pelas situações (isso é outra história.).
A Carley era meu oposto: ousada, não ligava pra opiniões, desencanada, falante, extrovertida, sorridente, corajosa e verdadeira. Com esses adjetivos, ela arrancou de mim uma Mychelli que eu desconhecia até então, eu passei a dividir minha vida com ela, meus medos, meus sonhos, meus problemas de toda adolescente em crise, meus amores... e quando chega nessa parte "amores", eu paro e vejo como aprendi com essa guria, como cresci e olha que a "experiente" era eu, na nossa diferença eu me sobressaía por ter mais cabeça, ser mais centrada, mas foi com a forma dela ver a vida e me mostrar que eu escolhi a minha!
Ela fez parte de momentos tão lindos e tristes da minha vida. Momentos de euforia, de perdas, de reaprender a amar, de reaprender a acreditar. A melhor lição que aprendi com ela foi numa época muito triste de minha vida em 2007, quando me separei do meu namoradinho pra valer (que hoje é meu esposo! risos. Isso também é outra história.) Ela ficou comigo o tempo todo, e me mostrou que quando você vê a realidade como ela é, tudo é mais superável, mais tolerável. Me ensinou que na vida, não existe amor perfeito (o que eu nessa parte, idealizava demais), o que existe são momentos perfeitos com as pessoas certas para cada momento. Juro que demorei a aprender no início, mas eu aprendi né Carley?!
Se eu for contar todas as nossas aventuras, brigas, descobertas, birras e muito mais vou ter que escrever um livro só para nós duas, é verdade! Tem muita coisa para contar, pois juntas ou separadas nós tínhamos e temos um elo!
O tempo passou, nós crescemos, nos afastamos, nos reaproximamos, arrumamos nossos namoridos e ela engravidou primeiro que eu no ano passado, trouxe ao mundo pela graça de Deus no mês de março deste ano, o lindo Luiz Miguel, meu dindo do coração, até queria entrar em detalhes sobre a gravidez dela, mas por respeito a privacidade, não vou citar nada.
Esse ano foi minha vez. Estou grávida de 34 semanas e 3 dias, do meu favo de mel Calebe Hudson, e ela é a dinfadinha de coração dele (nome que dei às madrinhas do meu bebê, é isso aí MadrinhaS!)
Amiga, você me mostrou o valor de uma amizade, de uma conversa, você sabe que foi a primeira a me conhecer realmente né?, e apesar de nossas diferenças de crenças e às vezes até de valores eu aprendi com você algo importante: tolerância também é amor!
Obrigada por sua amizade, e hoje nesse dia importante eu te digo:
Você faz parte de mim, de nós, minha amiga, minha cabeçudinha CarleyBia!
Feliz aniversário, te amo.



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